Honorários advocatícios: como cobrar os diferentes tipos?

Imagem de um advogado em seu escritório, com um notebook apoiado sobre a mesa e, ao centro, a estátua do símbolo do direito, representando um artigo da BCompany sobre honorários advocatícios.

A remuneração do advogado é um dos pilares para a sustentabilidade de qualquer escritório. No entanto, o tema dos honorários advocatícios ainda gera muitas dúvidas, especialmente na hora de precificar serviços e garantir o recebimento justo.

Entender a natureza dessa verba é o primeiro passo para uma gestão financeira eficiente. Afinal, os honorários vão além do lucro: são o sustento do profissional e a manutenção da estrutura jurídica necessária para atender o cliente.

Neste artigo, vamos explicar detalhadamente as modalidades de cobrança e como profissionalizar esse processo. Além disso, apresentaremos estratégias para reduzir a inadimplência e como um software jurídico pode ser seu aliado. Acompanhe!

O que são honorários advocatícios?

Em termos simples, os honorários advocatícios são a contraprestação financeira devida ao advogado pelos serviços prestados. Eles possuem natureza alimentar, o que significa que são equiparados aos salários para fins de impenhorabilidade e preferência em concursos de credores.

Essa característica é fundamental para a dignidade da profissão. Quando o advogado cobra por seu trabalho, ele está garantindo os meios para sua subsistência e o desenvolvimento de sua atividade intelectual. 

Enquanto as custas processuais são taxas pagas ao Estado para o andamento do processo, os honorários advocatícios pertencem exclusivamente ao profissional do Direito ou à sociedade de advogados. Misturar esses valores na gestão do escritório é um erro comum que pode comprometer a saúde financeira do negócio.

Além disso, é preciso diferenciar os honorários da indenização eventualmente recebida pelo cliente. O advogado deve ser transparente ao explicar que sua remuneração é independente do montante que o cliente receberá como reparação de danos, salvo se houver um acordo de percentual sobre o êxito.

Leia também: Contrato de assessoria jurídica: o que não pode faltar?

Qual é a diferença entre honorários contratuais e sucumbenciais?

Os honorários advocatícios contratuais são aqueles pactuados diretamente entre o advogado e seu cliente no início da prestação do serviço, servindo como a base da relação profissional.

Eles garantem que o advogado receba pelo tempo dedicado à análise do caso, reuniões e elaboração da peça inicial. Sem os honorários contratuais, o profissional assume todo o risco da demanda sozinho, o que pode ser financeiramente perigoso em processos de longa duração.

Por outro lado, os honorários sucumbenciais são fixados pelo juiz ao final de um processo judicial. Nesse caso, a parte perdedora da ação é condenada a pagar um percentual ao advogado da parte vencedora.

Essa verba serve como um reconhecimento do trabalho realizado e uma penalidade para quem deu causa ao processo sem razão.

Dessa forma, é perfeitamente possível que um advogado receba ambas as verbas em um mesmo processo. Enquanto os contratuais garantem a remuneração imediata ou parcelada pelo esforço despendido, os sucumbenciais funcionam como um prêmio pelo êxito na demanda judicial, reforçando o caixa do escritório.

Tipos de honorários advocatícios

A legislação brasileira, especialmente o Código de Processo Civil (CPC) e o Estatuto da Advocacia, prevê diferentes tipos de remuneração para os profissionais do Direito. Conhecer cada um deles detalhadamente ajuda a elaborar um bom contrato de honorários advocatícios e evitar prejuízos.

Cada modalidade exige uma abordagem distinta na negociação com o cliente e no registro contábil do escritório. 

Entender essas nuances com mais detalhes evita desgastes desnecessários e garante que todas as horas trabalhadas sejam devidamente recompensadas, respeitando a complexidade de cada causa.

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Honorários contratuais

Os honorários contratuais são definidos livremente entre advogado e cliente em contrato de prestação de serviços escrito, garantindo segurança jurídica e evitando disputas futuras sobre valores e prazos. 

É comum o uso da cláusula quota litis (pagamento condicionado ao sucesso), mas é recomendado incluir valores fixos (pro labore) para cobrir o trabalho inicial e despesas. O contrato também deve explicitar se o valor cobre atuação em instâncias superiores, como o STJ e STF, pois o aumento de complexidade pode exigir nova pactuação.

Honorários sucumbenciais

Os honorários de sucumbência, pagos pela parte vencida, decorrem da vitória judicial e geralmente variam entre 10% e 20% do valor da condenação, do proveito econômico ou do valor da causa (Novo CPC).

O juiz define o percentual exato com base em critérios como zelo, local, natureza, importância da causa, trabalho e tempo exigido. Essa verba pertence ao advogado, não ao cliente, mesmo que este tenha pago honorários contratuais, salvo rara e desaconselhável disposição contratual em contrário.

Honorários arbitrados

Os honorários arbitrados ocorrem na ausência de acordo prévio por escrito. O advogado deve entrar com ação judicial para que o juiz defina o valor justo, usando a tabela da OAB e provas do trabalho realizado. 

Para evitar este processo demorado e incerto, é fundamental formalizar a contratação por meio de um contrato bem redigido.

Honorários assistenciais

São devidos aos advogados que atuam em causas propostas por entidades sindicais, representando trabalhadores. Eles são fixados em ações coletivas ou individuais onde o sindicato presta assistência judiciária gratuita, conforme previsto na Lei 13.725/2018.

Essa modalidade visa garantir que o profissional que dedica seu conhecimento em prol de categorias profissionais também receba uma remuneração digna, que é paga pela parte vencida no processo judicial.

Como calcular um valor justo dos honorários advocatícios?

Precificar o serviço jurídico é um dos maiores desafios da advocacia moderna. Muitos profissionais utilizam a tabela da OAB, que deve ser encarada apenas como um parâmetro mínimo, e não como uma regra absoluta de valor máximo.

Para chegar a um valor justo, realize um levantamento detalhado dos seus custos fixos e variáveis. Isso inclui aluguel do escritório, energia, internet, assinaturas de softwares jurídicos, salários de colaboradores e impostos. 

Além dos custos, a complexidade da tese jurídica e o tempo estimado de dedicação são fatores determinantes. Uma causa que exige perícias complexas ou deslocamentos constantes deve ter um valor de honorários superior a uma demanda padronizada e de baixa complexidade.

Hora técnica vs. valor agregado da causa

Uma estratégia de precificação eficaz combina cobrança por hora técnica, cobrindo o tempo de trabalho, independente do resultado, além de um percentual sobre o êxito final

Esse valor agregado considera o benefício financeiro e emocional do cliente, justificando uma parcela proporcional à responsabilidade em causas de grande valor ou vitais. 

Além disso, o custo de oportunidade, que é deixar de atender outros clientes por uma causa complexa, deve ser refletido na proposta para garantir a lucratividade.

Como montar um contrato de honorários advocatícios?

O contrato de honorários é o documento mais importante da relação entre advogado e cliente. Ele protege o seu patrimônio e define as regras do jogo. 

Esse documento deve ser escrito em linguagem clara, mas sem abrir mão do rigor técnico necessário para sua execução judicial. Portanto, a especificidade nas cláusulas é a melhor ferramenta para garantir sua segurança financeira.

Elementos essenciais de um modelo de proposta

Ao elaborar um modelo de proposta de honorários advocatícios, certifique-se de incluir os seguintes elementos indispensáveis:

  • Objeto detalhado: descreva exatamente quais atos judiciais ou extrajudiciais estão incluídos no serviço;
  • Valores e formas de pagamento: especifique o valor total, o número de parcelas e as datas de vencimento;
  • Despesas e custas: deixe claro que taxas judiciais, correios, viagens e cópias são de responsabilidade do cliente;
  • Cláusula de êxito: se houver, defina o percentual exato e sobre qual base de cálculo ele incidirá;
  • Rescisão antecipada: preveja como os honorários serão pagos caso o cliente decida trocar de advogado no meio do processo;
  • Foro de eleição: defina a comarca onde eventuais disputas sobre o contrato serão resolvidas.

Uma proposta bem estruturada transmite profissionalismo e gera confiança. Ela mostra ao cliente que ele está contratando um especialista que valoriza o próprio trabalho e possui uma gestão organizada, refletindo diretamente na qualidade do serviço jurídico prestado.

Como cobrar honorários advocatícios e reduzir a inadimplência?

A inadimplência assombra muitos escritórios de advocacia, muitas vezes por falta de processos claros e profissionais de cobrança. 

O advogado, naturalmente focado na estratégia jurídica, pode acabar negligenciando o acompanhamento financeiro dos seus recebíveis.

Para mudar esse cenário, é fundamental profissionalizar a etapa de cobrança, separando a figura do advogado da figura do gestor financeiro.

Automatização da cobrança e lembretes

A forma mais eficaz de cobrar honorários advocatícios sem gerar atritos é através da automação tecnológica. O gerenciamento de recebimentos e a configuração de lembretes automáticos de vencimento via e-mail ou WhatsApp reduzem a inadimplência por esquecimento.

Quando o sistema envia um lembrete, a cobrança deixa de ser uma abordagem pessoal do advogado e passa a ser um processo administrativo padrão do escritório. Isso diminui o constrangimento de ambas as partes e educa o cliente sobre a importância da pontualidade nos pagamentos.

Controle do fluxo de caixa e datas de vencimento

Manter um controle rigoroso sobre o fluxo de caixa permite a identificação de atrasos no exato momento em que ocorrem. 

Com essa informação em mãos, é possível agir de forma proativa, entrando em contato com o cliente para entender o motivo do atraso e propor uma renegociação amigável.

Saber exatamente o que esperar da receita nos próximos meses traz a tranquilidade necessária para focar no sucesso das causas e possibilita previsões de investimentos futuros.

Leia também: Quanto ganha um advogado em diferentes áreas do Direito?

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A gestão financeira não precisa ser um fardo para o advogado. Com as ferramentas certas, é possível transformar a cobrança de honorários em um processo fluido, seguro e totalmente automatizado.

O GOJUR traz uma solução completa para o controle de honorários. Com o software jurídico, você pode cadastrar seus contratos e configurar alertas de recebimento para nunca mais esquecer uma parcela. O módulo financeiro do GOJUR gerencia os recebimentos e notifica sobre vencimentos.

Ele faz a gestão integrada do fluxo de caixa e a emissão de relatórios financeiros detalhados, com dados estratégicos sobre as áreas mais rentáveis, o custo médio de cada processo e a taxa de inadimplência por tipo de cliente.

Essa inteligência de negócio, gerada a partir dos dados fornecidos pela plataforma, possibilita tomadas de decisão estratégicas, assegurando a longevidade do escritório.

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